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Entrevista banda Código B

  • 1 de ago. de 2017
  • 5 min de leitura

ZAP - Porque o nome Código B? Foi escolhido aleatoriamente ou simplesmente apareceu?

R: A escolha teve que ser feita às pressas, de um dia para o outro a pedidos de uma rádio que queria tocar nosso som, então não tivemos muito tempo para pensar. O nome “Code” foi sugerido por um amigo nosso. Gostamos da idéia do que esse nome poderia representar e traduzimos para nossa língua, para condizer com a nossa realidade (afinal somos brasileiros e cantamos em português). A letra “B” surgiu depois, como um complemento. A gente costuma dizer que o “B” é de Brasil, mas deixamos aberto para interpretações.


ZAP - Como vocês definiriam o disco que a banda produziu? Foi algo mais ideológico ou foi voltado para estourar em rádios?

R: Estourar em rádios é uma conseqüência, mas que nunca pode ser a proposta inicial, senão ele se torna descartável. Importante é o trabalho ser verdadeiro, honesto e sincero. Tocamos o que somos, o que gostamos de ouvir, o que acreditamos; e felizmente acabamos sendo muito bem aceitos pelo público, pelas rádios, pela crítica e pela mídia em geral. Podemos definir o disco como o resultado do Bauxita, do Rique, do João e do Pedro pensando, interagindo e tocando juntos, sendo nós mesmos. É a soma do que somos individualmente.


ZAP - Como a banda escolheu as faixas? Vocês tiveram liberdade de escolha ou sofreram algum tipo “força externa”?

R: Não corremos o risco de sofrer essa “força externa” por sermos independentes e responsáveis por todas as etapas e passos da banda. Nós mesmos produzimos nosso trabalho (em todos seus aspectos), nos empresaríamos, administramos nossa gravadora, cuidamos da nossa imagem, etc. A escolha das músicas não foi fácil, porque todas tinham suas particularidades e um significado especial para nós. Escolhemos com base nas letras que transmitiam melhor o que queríamos dizer, nos arranjos que representavam melhor a nossa sonoridade e na opinião dos nossos fãs. Prestamos atenção nas músicas que o nosso público mais curtia e se identificava.


ZAP - Como a banda vê, hoje, rádios, revistas, programas de auditórios e até canais de televisão tentando produzir “ídolos” musicais? A galera jovem não tem mais ídolos, ou a massificação musical acabou com bandas que vendiam ideologia?

R: Hoje em dia, não só a música, mas as artes em geral, sofreram uma banalização muito grande. Os valores se inverteram. O dinheiro deveria ser usado a favor da música, mas o que acontece é o contrário: a música é usada a favor do dinheiro. É muito fácil gravar um disco, mesmo sem ter talento. O que importa são os lucros rápidos - carreiras-relâmpago, descartáveis. O grande problema de fabricar um fenômeno é que pulam muitas etapas fundamentais para a consolidação e a evolução de um artista. “O que vem rápido, vai rápido” - nesse caso, isso é um fato! Mas não sejamos injustos. Tem muita gente boa por aí e a galera reconhece, mais cedo ou mais tarde, quem é bom de verdade. Mentira tem perna curta. Ninguém consegue viver com uma mentira. O que sustenta uma carreira é talento e muito trabalho. Não tem como fugir disso.


ZAP Como vocês definem a caminhada da banda até aqui? Água e sombra fresca, ou trilhas de pedras?

R: Acho que se o caminho de qualquer banda fosse só “sombra e água fresca”, não teria graça. Felizmente tivemos muitas pedras ao longo do caminho, mas em um bom sentido, porque foram justamente nesses momentos, que evoluímos como banda, como artistas e como pessoas. Transpondo esses obstáculos, as vitórias têm um sabor especial e ainda aumentam as chances da banda ter uma carreira mais longa, sólida e saudável. Trabalhando muito e “correndo atrás” sempre, tivemos momentos maravilhosos que foram muito recompensadores e nos deram força pra continuarmos a seguir nossos sonhos. Somos muito gratos por tudo que aconteceu com a gente ao longo da nossa carreira.


ZAP - Como a banda lida com a pirataria? Para alguns ela é benéfica e para outros ela é maldita. Será que se não abaixasse o preço final do CD a pirataria não diminuiria?

R: Esse é um assunto delicado e complexo. Pirataria é crime e o dinheiro arrecadado com a venda desses produtos piratas financia criminosos e isso não pode ser bom. Mas temos que ter consciência de que esse “mercado” só existe porque existe a demanda por esses produtos, que é reflexo e conseqüência de uma série de erros cometidos ao longo dos anos por uma indústria fonográfica decadente, fora questões como desemprego. A fabricação de um CD envolve muitos custos, tanto materiais quanto intelectuais, o que dificulta a queda dos preços. Mas somos a favor de novas formas de distribuição, divulgação e comercialização da música, como o MP3. A internet tornou a música muito mais acessível e democrática e a troca de arquivos expandiu muito o poder de alcance do trabalho dos artistas.


ZAP - Como é a relação com seus fãs? E como a banda vê os artistas e bandas que depois de “estourarem” fecham as portas para os mesmos?

R: Para o Código B os fãs são a razão de nossa existência. Fazemos questão de responder os e-mails e procuramos sempre que possível atender a todos que demonstram alguma forma de admiração pelo nosso trabalho. Na realidade o que acontece é que quando o artista estoura, a demanda dos fãs cresce absurdamente e por mais paciente e atencioso que o artista seja, fica muito difícil conseguir atender a todos. No caso do Código B sempre fazemos questão de atender ao máximo de pessoas que conseguimos.


ZAP - Depois de produzirem o disco, quais são as novas etapas que a banda tem de seguir?

R: Depois da produção de um bom CD, a banda independente tem que buscar um bom parceiro para distribuição deste cd nas lojas. Paralelo a isso deve-se montar um show compatível com o cd e com as principais influências da banda.

Outras ações importantes que a banda deve fazer é buscar divulgar seu trabalho na mídia impressa, radiofônica e televisiva, a fim de difundir sua imagem e conseguir espaço para realização de shows. Cair na estrada e mostrar seu produto final, o “Show”.


ZAP - Quais conselhos a banda daria para as bandas locais de Itabira que querem fazer o seu som e tentar buscar o seu espaço na mídia?

R: O conselho que damos a todas as bandas independentes de Itabira é que busquem a sua verdade, fazendo o som que realmente gostam, expressando assim sua verdade e sua essência de banda, seja qual for o estilo (metal, pop, rock etc). Procurem fazer um trabalho honesto buscando a máxima qualidade em tudo que a banda se envolva, pense grande e tenham muita paciência, calma e perseverança. Até que se consiga chegar ao topo, a ralação é diária. Se o trabalho for realmente bom, na hora certa ele será reconhecido pelo público e pela mídia. Não fique esperando uma grande gravadora para fazer sua banda acontecer, levante da cadeira e corra atrás do seu sucesso.


ZAP - Quando vocês virão para tocar em Itabira?

R: Ainda não temos uma data certa marcada para nos apresentarmos em Itabira, se algum contratante local tiver interesse em nos chamar é só enviar um e-mail para contato@codigob.com.br ou ligar para nosso escritório em São Paulo (11) 3251-0256. De qualquer forma, nós provavelmente teremos shows em Teófilo Otoni e Governador Valadares no período dos próximos 6 meses, e a galera poderá ir lá conferir a banda ao vivo.


ZAP - Uma mensagem para os seus fãs em Itabira e leitores do ZAP.

R: Para nossos fãs queremos deixar um agradecimento bem grande pela força e pelo apoio que sempre deram a nós. Muitas pessoas de Itabira fazem parte da nossa comunidade do orkut e ficamos muito contentes em ver a galera da cidade marcando presença. Esperamos em breve poder retribuir todo esse carinho vindo de Itabira com um belo show para todos vocês.




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