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Entrevista Caio Corsalette

  • 28 de jul. de 2017
  • 4 min de leitura

ZAPPHY – Escutei o seu CD com bastante atenção e posso afirmar que talvez no mercado nacional, não há trabalho que tente referenciar tanto a raiz sem ter que necessariamente fazer “covers” ou “versões”. Porque você foi beber nesta fonte que, para muita gente do mercado, não é tão comercial as vezes?

Caio Corsalette - Porque se trata da minha própria raiz. Eu sabia que se eu fosse fiel as minhas vontades, minhas referências apareceriam naturalmente. E pelo aspecto de mercado, nada mais comercial do que ser original.


ZAPPHY – Chega ser bastante nítida a influência do “country folk” americano e em especial, no seu modo de cantar, a influência de Johnny Cash! Mas, como você havia me dito, o disco também mergulha nas raízes do agreste musical brasileiro, como por exemplo, Tião Carreiro! Posso afirmar então que as raízes, apesar de uma “pegada” diferente acabam tendo a mesma vertente?

Caio Corsalette - Com certeza. Gosto das coisas que extrapolam o tempo – sem data de validade. E isso o Johnny Cash tem muito em comum com Tião Carreiro e tantos outros grandes cancioneiros.


ZAPPHY – Como disse, talvez o seu CD não seja um CD que as rádios populares irão tocar em profusão, porém, é um trabalho que ataca diretamente aqueles que ressentem de trabalhos menos comerciais e mais “cabeça”. Como a mídia, de uma forma geral tem recebido e avaliado o seu trabalho?

Caio Corsalette - Não disse isso. Pelo contrario, acredito que as músicas tem muito potencial para tocar em rádio. Porque além de ter as portas abertas tanto no rock quanto no sertanejo, minha música é carregada de histórias da estrada, de amor, fala sobre tombos e tantos outros assuntos comuns ao ouvido das pessoas. Mas por se tratar de um artista novo, ainda pouco conhecido pelo grande público, é preciso ir pouco a pouco disseminando a idéia do disco. Contando que estamos no começo dos trabalhos, a mídia vem recebendo muito bem.


ZAPPHY – Quanto primeiro escutei o seu CD, as duas primeiras coisas que me vieram na cabeça foram “Barretos” e “Nashville”. Existe algum planejamento para lançar este seu trabalho na maior festa de rodeio do Brasil? E nos EUA? Este CD pode, de repente, receber uma versão em inglês para abocanhar o mercado fonográfico americano?

Caio Corsalette - Acho que de modo geral um artista sempre se comunica melhor na sua língua, o que é o meu caso. Claro, seria demais ir de Barretos a Nashville. Vou mentir se disser que minha cabeça ainda não fez este percurso (rsrs). Acontece que estamos falando do começo de um trabalho. O que importa é ser parte da música brasileira. O Brasil é muito grande e esse é um longo caminho. E quem não gostaria de tocar em Barretos ? Quanto a lançar algo fora do Brasil, seria muito bom em outro momento, mas não faria versões, começaria um disco novo, composto desde o começo em inglês.


ZAPPHY – Conforme conversamos, você foi mergulhando e mergulhando nos cantores do tipo “lonely rangers” que ficaram famosos nas vozes de Neil Young, Johnny Cash, Bob Dylan entre outros. Aqui no Brasil, além do Tião Carreiro, que outras fontes musicais você foi beber para construir este estilo musical tão original? O estilo de tocar e cantar me lembrou as vezes Zé Ramalho... isso procede?

Caio Corsalette - Voce diz isso por eu cantar em tons graves, mas não tenho aquele “vozerão” todo do Zé Ramalho não.

O mais importante na criação deste disco não foram apenas fontes musicais. Estava lendo muita coisa barra pesada que me inspirou a escrever canções compulsivamente. Só cuidei para que essas idéias soassem através de palavras simples.

No que diz respeito a sonoridade, quiz roubar o tom de duelos e tragédias das trilhas que o Ennio Morricone fez para os filmes de “western spaguetti” do Sergio Leone.

Deu no que deu.


ZAPPHY – Você, no intuito de mostrar que o trabalho quebra os paradigmas da mesmice, avisa de cara que não sertanejo universitário. Quando você assim escolheu, não ficou receioso de, em um primeiro momento não ser bem compreendido e perder um pouco dos universitários que curtem country?

Caio Corsalette - O público é inteligente. Não vim aqui pra confrontar ninguém nesse sentido. Você está se referindo ao texto de “release” que o jornalista Ronaldo Bressane escreveu ao meu respeito. Aquela foi uma diferenciação dele, que eu permiti, é claro. Não quero ficar me opondo a nenhum estilo musical, pelo contrário, de certa forma acho que pertenço a todos eles.

Como dizia o grande mestre Tião Carreiro : “música só tem dois tipos, a feia e a bonita”.


ZAPPHY – É o seu primeiro trabalho e de cara lançado por uma grande gravadora, a Coqueiro records. Mas como você vê o lance da pirataria? Que medidas vocês tomaram em conjunto para tentar minimizar os efeitos nefastos da pirataria?

Caio Corsalette - Acho a Coqueiro mais indicada pra responder esta pergunta. Meu assunto com eles foi música. Entreguei o disco pronto, eles sacaram qual era a minha e se animaram para lançá-lo. Mas acho que a causa da pirataria é muito mais um problema de distribuição de renda do que essa história de que as empresas não se adaptaram as novas tecnologias.

Tanto que, se não me engano, ela é mais acentuada em países mais pobres. Lógico que tem muita gente pensando atrasado, mas as coisas inevitavelmente sofrem transformações. Com o fonográfico está acontecendo isso.


ZAPPHY – Uma mensagem final para os nosso leitores e para os seus fãs.

Caio Corsalette - Sejam bem vindos ao som de “A História da Estrada Longa”



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